VOCÊ VIU NO GLOBO REPÓRTER??

Quero compartilhar o que minha colega escreveu a respeito do sensacionalismo que o GLOBO REPÓRTER costuma em nome do IBOPE promover, vamos prestar atenção, É preciso ter cuidado com orientações equivocadas divulgadas pela mídia!!!

domingo, 9 de março de 2014

Você viu no Globo Repórter?
Uma vez que o Globo Repórter não pede licença para “falar o que quer” – sobre o que bem entender – também não vou fazê-lo.

Simples assim…

Comecemos com cinco breves contatações:
1- Sim, a nutrição está na boca do povo – literalmente.
2 – Sim, quando ela é a pauta da mídia, ela é boa geradora dos queridos pontos no ibope.
3 – Sim, nestas situações, a ciência da nutrição passa a ser “divulgação científica da nutrição” – realizada, portanto, por profissionais da área da comunicação, cuja atribuição é “tornar comum o conhecimento”.
4 – Infelizmente, a apresentação dos temas (o que inclui o assunto, a maneira como se dará a reportagem e quem irá ser a “fonte de informação”) é feito visando o seu sucesso enquanto produto cultural – e não necessariamente a alma da informação.
5 – E, mais infelizmente ainda, quando a grande mídia diz, é muito difícil dizer o contrário. Seu alcance é grande. Seu prestígio, ainda maior.

Na matéria desta ultima sexta-feira, eis que mais uma vez, o-milagre-de-alguns-alimentos se revelou como pauta do programa noturno. A goji, a laranja, a banana, o abacate, a jabuticaba… Seus estudo, seus efeitos promissores… A diabetes, as doenças cardiovasculares, o câncer… A energia, a vitalidade e, claro, o emagrecimento.

Incontestável os benefícios das frutas. Fontes de vitaminas, de minerais, de fibras… Blá blá blá. Nada de muito novo ou surpreendente. Aliás, me parece bastante óbvio que sejam benéficas a todos os malefícios/desordens/doenças causados pela oxidação do organismo… Afinal, não são elas ricas em antioxidantes? Talvez por isso que o rol de benefícios citados seja sempre o mesmo.

Ok.

Mas, o mais interessante é a absoluta facilidade que este programa tem de misturar “estudos científicos” com “relatos pessoais”, como se apresentassem o mesmo grau de prestígio informativo – que fique claro, de forma alguma desconsidero o relato pessoal, mas cabe aqui colocá-lo em perspectiva.

A miscelânea, tristemente, não acaba por aí.

Também foram desenvolvidas outras duas habilidades no programa: a dos ” ultimatos” (como verdades absolutas), e; a duvidosa seleção do “conselho de consultores” (que prevê a fonte de informação segundo seus títulos, mas nem sempre de acordo com o assunto especificamente – podem ser cientistas, pesquisadores, médicos… Mas seriam eles as fontes mais adequadas para o que se propõe apresentar?).

Desculpe, mas não é que a “banana não engorde de jeito nenhum”. Não é exatamente assim…
Ela tem calorias, aliás, como (quase) tudo. E dependendo de como for, pode sim “engordar”.
Um diabético, só para citar um exemplo, precisa, sem a menor dúvida, ponderar seu consumo para não alterar seus indicadores sanguíneos – oras, não é que ela tem amido em sua composição? Só eu que esqueci disso?

Desculpe, mais uma vez, mas não acho que uma pesquisadora de farmácia seja uma das pessoas mais indicadas para inferir, afirmar e divulgar que “um lanche intermediário poder muito bem ser trocado por um copo de suco de laranja”. Ela pode ser – e de fato deve ser – uma ótima pesquisadora, uma exime conhecedora das funções corporais, mas de hábitos alimentares, substituições de alimentos e da “saciedade social” – aquela que considera o contexto dos indivíduos e não somente a resposta cerebral – ah… Isso eu acho difícil uma farmacêutica conhecer.
Também não acredito que o apresentador/repórter possa afirmar que “o suco de laranja é o ideal para uma dieta de emagrecimento”… Como assim? Ideal para quem? Como exatamente? Por que dizer isso em rede nacional? Será que todos que o assistem conseguem interpretar de modo correto essa informação?

Que fique claro, não sou contra o suco de laranja – aliás, nem é essa a questão – mas acho que toda generalização diminui a inteligência e empobrece a beleza da individualidade. Se você me der um copo de suco de laranja para que eu faça dele meu lanche da tarde, pode ter certeza que estarei pronta para devorar minha casa no jantar – de quebra, a minha adesão a esta “dieta” seria nula.

No âmbito da nutrição, como trabalhamos com muitas variáveis (hábitos, gostos, vontades, necessidades…) tudo pode ser muito relativo e quando a relatividade é desconsiderada, a receita de bolo não oferece como resultado o que prometeu.

Desculpe, mas qual seria mesmo a qualificação – do ponto de vista acadêmico de conhecimento – do personagem frugívoro que parou de dar aulas de inglês para escrever livros e dar palestras sobre a sua experiência? Segundo a legenda, trata-se de um “estudante de nutrição”. Pois bem.
Com todo respeito, caro futuro colega, espero que aprendas muito a respeito da ciência nutricional, do equilíbrio, da harmonia e da responsabilidade que um profissional tem em manifestar suas preferências, mas de adequar para o paciente aquilo que ele precisa. É uma ciência, não uma doutrina. O título profissional não deve ser mais um artifício do marketing.
Espero também, que aprendas que não existe a expressão “semi-obeso” e que as frutas/verduras/legumes/etc. que consumimos hoje, não são exatamente como as “fornecidas pela natureza”…

Enfim.

De tudo, fico feliz por não ter sido feita referência a nenhum nutricionista nesta matéria.
Sim, fico mesmo muito feliz.
Para nós, alimento é coisa seria.
É nosso trabalho. São nossos estudos.

Ciência não se faz de extremismos, de modas e de promessas.
Ciência se constrói dia-a-dia, na seriedade, mesmo que para isso tenhamos que lutar contra o (des)serviço que, por vezes, a grande mídia nos faz.
Fonte:Beatriz Pagnanelli Van Sebroeckttp://nutricionistabia.blogspot.com.br/

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